Traduction portugaise : Daniel Damasio Borges Os sistemas de proteção social se desenvolveram, em um contexto de industrialização, em suporte a um modelo econômico produtivista que, por sua vez, os reforça. A transição ecológica impõe um reexame das bases e dos princípios de funcionamento de tais sistemas. O movimento ecofeminista propõe histórias e formas de narrativas que renovam a leitura das origens e dos fundamentos do produtivismo. Tais histórias permitem realocar, em um repertório diferente, proposições para uma transição ecológica que reabilite a continuidade entre natureza e cultura, o respeito a um planeta com recursos limitados, os conhecimentos, o trabalho, os modos cognitivos e os valores considerados “femininos”, bem como os territórios e as populações do Sul global. Elas conduzem a visualizar a elaboração dos sistemas de proteção social pensados sob o modelo de “comuns” e fundados sobre a ética do cuidado, que respondem aos novos riscos ambientais (calor extremo, fome, epidemias), e sustentam uma transição ecológica que limite o impacto humano sobre o planeta. Social protection systems have developed in a context of industrialization, in support of a productivist economic model, which, in turn, reinforces them. The ecologic transition imposes a reexamination of basis and functioning principles of such systems. The eco-feminist movement proposes stories and narrative forms that renew the reading of the origins and foundations of productivism. These stories allow the outline of a different set of proposals for an ecological transition that rehabilitates the continuity between nature and culture, respect for a planet with limited resources, “feminine” considered knowledge, work, cognitive modes and values, as well as the territories and populations of the global South. They lead to an examination of the elaboration of social security systems under the “commons” model, based on the ethic of care, which responds to new environmental risks (extreme heat, hunger, epidemics), and support an ecological transition that limits human impact on the planet. Les systèmes de protection sociale se sont développés, dans un contexte d'industrialisation, en appui d'un modèle économique productiviste qui les renforce. La transition écologique impose un réexamen des bases et des principes de fonctionnement de ces systèmes. Le mouvement écoféministe propose des récits et des formes de narration qui renouvellent la lecture des origines et des fondements du productivisme. Ces récits permettent de réaffecter, dans un autre répertoire, des propositions pour une transition écologique qui réhabilite la continuité entre nature et culture, le respect d'une planète aux ressources limitées, les savoirs, le travail, les modes cognitifs et les valeurs considérées comme "féminines", ainsi que les territoires et les populations du Sud. Elles nous amènent à envisager le développement de systèmes de protection sociale basés sur le modèle des "communs" et fondés sur l'éthique du care, qui répondent aux nouveaux risques environnementaux (chaleur extrême, faim, épidémies) et soutiennent une transition écologique qui limite l'impact de l'homme sur la planète.
Vielle, P., & et al. (2020). Um regime de proteção social a serviço da transição climática : contribuição do pensamento ecofeminista. Revista de Estudos Jurídicos da UNESP, 25(39), 115-139. https://doi.org/10.22171/rej.v24i39.3416 (Original work published 2020)